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O que dizem as evidências
Todos os números abaixo são atribuídos à autoridade de saúde que os publicou, com ligação à página de origem. Onde as autoridades divergem, mostramos ambas as estimativas.
Os comestíveis agem tarde — e duram muito mais
Fumado, o efeito surge em um ou dois minutos. Ingerido, o início atrasa-se — a Talk to FRANK aponta até uma hora e a Alcohol and Drug Foundation australiana entre 30 minutos e 2 horas — e o pico dura depois cerca de 1 a 4 horas, com mais algumas horas até desaparecer por completo. A NHS inform descreve a canábis ingerida como tendo duração muito maior e início bastante mais tardio do que fumada.
Fontes: Talk to FRANK · Alcohol and Drug Foundation · NHS inform (Public Health Scotland)
Porque os comestíveis são a via habitual de sobredosagem
O atraso é o próprio mecanismo. O NIDA afirma que os comestíveis «demoram normalmente mais tempo a fazer efeito, pelo que as pessoas podem consumir mais produto, aumentando a probabilidade de efeitos graves para a saúde». A Talk to FRANK acrescenta que a quantidade de canábis nestes produtos pode variar muito. A Public Health Scotland desaconselha repetir a dose antes de algumas horas; a Alcohol and Drug Foundation australiana indica pelo menos 4 horas após a ingestão e pelo menos 30 minutos em qualquer outra via.
Fontes: NIDA · Talk to FRANK · NHS inform (Public Health Scotland) · Alcohol and Drug Foundation
A janela de comprometimento dura mais do que o efeito
A OMS afirma que o desempenho humano em maquinaria complexa «pode ficar comprometido até 24 horas depois de fumar apenas 20 mg de THC presentes na canábis». A Alcohol and Drug Foundation australiana situa igualmente a duração total dos efeitos, fumada ou ingerida, em até 24 horas.
Fontes: WHO · Alcohol and Drug Foundation
«Sinto-me bem» não é o critério legal
Na Grã-Bretanha é crime conduzir acima de um nível estabelecido de certas substâncias no sangue «mesmo que não tenham afetado a sua condução» — palavras do próprio governo britânico. A polícia pode fazer rastreios de canábis na estrada, e a pena máxima por causar morte em condução descuidada sob efeito de drogas é prisão perpétua.
Fontes: GOV.UK
Risco de acidente: as autoridades divergem
A Talk to FRANK afirma que conduzir sob efeito «pode duplicar as suas hipóteses de sofrer um acidente grave, ou até mortal». O NIDA aponta a canábis como a substância mais frequentemente encontrada no sangue de condutores envolvidos em acidentes e refere várias análises que encontraram risco acrescido — mas cita também um estudo da agência norte-americana NHTSA que «não encontrou aumento significativo do risco de acidente atribuível ao consumo de canábis». A dimensão do risco é genuinamente disputada.
Fontes: Talk to FRANK · NIDA
Dependência: as estimativas vão de 22% a 30%
O NIDA refere que os estudos «estimaram que 22% a 30% das pessoas que consomem canábis têm» perturbação por uso de canábis. O preditor mais forte é a frequência de consumo; contam também o historial familiar de consumo e há quanto tempo a pessoa consome. O NIDA cita ainda uma estimativa de que 12,1% de quem consome com frequência sofre sintomas de abstinência.
Fontes: NIDA
A tolerância e a abstinência seguem um calendário
A Public Health Scotland afirma que quem consome canábis todos os dias durante um período prolongado pode desenvolver tolerância e precisar de mais para obter o mesmo efeito. O Royal College of Psychiatrists refere que os sintomas de abstinência «começam habitualmente um ou dois dias após o último consumo», «podem durar cerca de duas semanas» e são mais intensos na primeira semana: geralmente insónia, ansiedade, irritabilidade, humor deprimido, inquietação e falta de apetite.
Fontes: NHS inform (Public Health Scotland) · Royal College of Psychiatrists
Psicose: contam tanto a idade do primeiro consumo como a potência
O Royal College of Psychiatrists afirma que «quanto mais novo se é ao começar a consumir canábis, maior a probabilidade de desenvolver psicose», e que as formas mais potentes ou o consumo regular também aumentam o risco — explicando o efeito da idade pelo cérebro ainda em desenvolvimento. O NIDA associa a canábis a um início mais precoce da psicose em pessoas com fatores de risco genéticos para perturbações psicóticas, incluindo esquizofrenia, e a sintomas piores em quem já as tem, uma associação «particularmente forte em homens jovens em comparação com mulheres». A Public Health Scotland aponta como fatores de risco o historial familiar, o consumo intenso desde idade jovem e prolongado no tempo, e a canábis de elevada potência. A Alcohol and Drug Foundation australiana lembra que o cérebro continua a desenvolver-se até meados dos vinte anos.
Fontes: Royal College of Psychiatrists · NIDA · NHS inform (Public Health Scotland) · Alcohol and Drug Foundation
Síndrome de hiperémese canabinoide
O NIDA descreve a síndrome como náuseas, vómitos e dor abdominal após consumo intenso e prolongado de canábis: «Pode repetir-se e exige frequentemente cuidados médicos. Algumas pessoas tentam aliviar temporariamente os sintomas com duches ou banhos quentes. No entanto, só se resolve quando a pessoa deixa completamente de consumir canábis». A Alcohol and Drug Foundation australiana descreve-a como rara e sobretudo ligada ao consumo intenso e prolongado de canábis com muito THC.
Fontes: NIDA · Alcohol and Drug Foundation
Gravidez e amamentação
O NIDA associa o consumo de canábis na gravidez a menor peso à nascença, parto pré-termo, hospitalização e morte no primeiro ano de vida, e refere que o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas desaconselha o consumo a quem tenta engravidar, durante a gravidez e durante a amamentação. A OMS afirma que a canábis consumida na gravidez está associada a uma alteração do desenvolvimento fetal que reduz o peso à nascença. A Alcohol and Drug Foundation australiana nota que o THC passa para o leite materno e que os efeitos no bebé ainda não são bem conhecidos.
Fontes: NIDA · WHO · Alcohol and Drug Foundation
Misturar com álcool
A Alcohol and Drug Foundation australiana afirma que combinar THC com álcool e outros depressores pode aumentar a sonolência e a sedação, e que misturar com álcool pode também causar náuseas e vómitos. A orientação geral da Public Health Scotland sobre drogas é evitar de todo as misturas — incluindo com álcool e medicamentos — porque misturar «pode provocar resultados inesperados e imprevisíveis»; identifica-o como um importante fator de risco nas mortes relacionadas com drogas na Escócia.
Fontes: Alcohol and Drug Foundation · NHS inform (Public Health Scotland)

